terça-feira, 5 de novembro de 2013

Reflexões sobre amor e relacionamentos


A experiência de se viver um intercâmbio nos faz crescer imenso (como diriam os portugueses). E tenho refletido muito sobre grandes partes da vida: relacionamentos, carreira, consumismo X minimalismo, amizade e etc. Por vezes me pego falando ou pensando coisas que mal acredito que saem de mim. Dois meses atrás, jamais olharia a vida de forma tão madura. Parece que nesses quase 2 meses, cresci mais do que em 24 anos. Loucura! Não é que esteja mais racional, mas hoje enxergo tudo com muito mais clareza.

É por isso que resolvi escrever sobre Amor. Ousada eu, não? Tanta gente mais velha já escreveu sobre isso. Fico pensando: "quem sou eu para querer dizer o que fazer pra se alcançar um relacionamento saudável e duradouro?" Mas como me disse uma grande amiga, o importante é experiência e não idade. Tem muita gente de 40/50 anos anos por aí vivendo como se tivesse 15. Além disso, sempre fui bastante observadora da vivência de outras pessoas em seus relacionamentos, por isso fui aprendendo muito bem o que não queria pra mim.

Agora estou aqui pra escrever um pouco do que venho pensando nos últimos tempos. Pra começar, fui aprendendo o que NÃO queria ao invés de aprender o que de fato queria, porque nunca acreditei em amores sonhados e idealizados. Nunca fui o tipo de princesa da Disney iludida que espera pelo príncipe encantando no cavalo branco ou "simplesmente" pela pessoa perfeita que irá encaixar num estereótipo criado por mim mesma. 

E aí já começam os problemas de muitas amigas e mulheres que vejo sofrendo por aí: querem alguém que encaixe em uma coisa criada pela mente delas e que, na maioria das vezes, foge da realidade possível. Não porque sejam características que nunca vão existir nas pessoas, mas apenas porque elas juntas seriam a perfeição e felizmente ninguém é perfeito. Digo felizmente porque só assim aprendemos a conviver e crescemos com as diferenças e imperfeições nossas e dos outros. 

Já vi histórias se repetirem "n" vezes com amigas que encontraram "o cara perfeito" mas só dentro da cabeça delas. Era uma vontade tão grande de encontrar uma pessoa daquele jeito que qualquer um com algumas das características virava esse cara e elas perdiam a capacidade de enxergar com quem realmente estavam convivendo. E depois de um tempo vinha a decepção: ele não era tão perfeito assim. Não necessariamente era alguém ruim, mas como não era aquele príncipe exato, começavam as brigas por motivos "bobos", pelo simples fato de que ele não atendia às expectativas que ela havia criado antes mesmo de conhecê-lo.

Em outros casos, a coisa se tornava tão grave e a carência era tão grande (porque achar que príncipes existem reflete mesmo é carência) que passavam a aceitar situações intoleráveis, que rapidamente entraram para o que eu NÃO queria pra mim: homens ciumentos a ponto de se mostrarem doentios e até machucarem fisicamente "suas" mulheres (sim, já vi pessoas próximas apanharem), homens que querem mulheres perfeitas em uma redoma de vidro, homens que não aceitam que mulheres tenham pensamento próprio e escolhas próprias. E até em casos ainda mais extremos: vida própria. Sim, isso ainda existe... e muito! E por aí vão os tipos de relacionamentos fadados ao fracasso (a não ser que você seja uma mulher submissa da Idade Média).

Outra coisa que também aprendi foi que não se deve procurar "o amor da sua vida". Na verdade, não se deve procurar nem mesmo um "namoradinho pra passar o tempo". Ou seja, não se deve procurar. As coisas acontecem quando é hora de acontecerem. Por mais clichê que isso possa parecer. Por isso, pular de um relacionamento para o outro nunca é um bom sinal, porque significa que você está procurando tanto que não consegue aguentar a própria companhia, não consegue se fazer feliz. E uma situação dessas é mesmo muito triste. Isso foi algo que alguém me falou há pelo menos uns 6 anos e nunca esqueci. Na verdade, a cada dia que passa faz mais sentido pensar assim. 

Por isso é preciso se amar antes de tudo (e isso já falei em outros textos por aqui), é preciso acreditar em você e é preciso se considerar uma ótima companhia! É preciso aprender a ficar bem sozinha, a ser feliz consigo mesma para que não se esteja com outra pessoa porque precisa dela ou porque precisa de companhia, mas simplesmente porque é bom estar com ela e vocês fazem bem um ao outro. Quando nitidamente as pessoas estão juntas porque querem estar (não porque precisam) e porque fazem surgir uma na outra o melhor que podem ser, esse sim é um motivo "legítimo" e nesse tipo de amor eu acredito.

Por fim, o que mais tenho pensado é que acredito em amores construídos com o tempo, em amores cuja intensidade do "eu te amo" vai avançando e aumentando e não em amores avassaladores e repentinos (esses podem ser paixão ou simplesmente uma vontade de amar tão grande que surge a ilusão de que é amor). Por isso, torço pra que você que leu esse texto enorme, possa encontrar um desses amores construídos com o tempo, amores que crescem e crescem e parecem crescer pra sempre. Porque foi esse tipo de amor que encontrei e é esse tipo de amor que realmente faz bem, dura e faz feliz. E o crescimento proporcionado pelo intercâmbio me faz ter cada dia mais certeza de que é isso que quero pra mim (agora que já tenho, não é problema porque não é algo potencialmente impossível). E é tão bom que desejo algo assim pra todo mundo!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

What you share with the world is what it keeps of you - O que você compartilha com o mundo é o que o mundo guarda de você.