quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Sorriso.


Basta lembrar do seu rosto
Sorriso

Basta lembrar do seu corpo junto ao meu
Sorriso

Basta lembrar da sua voz
Sorriso

Basta lembrar do seu jeito de me chamar de linda
Sorriso

Basta lembrar dos seus olhos
Sorriso

Basta lembrar da expressão que você faz quando fica bravo
Sorriso

Basta lembrar da lembrança de você
Sorriso

Basta você existir
Pra me fazer sorrir.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Eu não vou me render às engrenagens do mundo.


O mais importante na vida são as relações, os laços que criamos com as outras pessoas. Todos nós precisamos parar. Parar com a correria, com a necessidade de acumular dinheiro, bens, sentimentos ruins. Precisamos parar também de nos comparar com o outro. Os caminhos do outro são exclusivamente dele. Não podemos traçar nossa vida com base nisso. Cada um sabe o que faz o próprio coração pulsar, cada um sabe o que almeja para si, ainda que não saiba como alcançar isso. E se a gente não sabe exatamente o que quer, está tudo bem também. Muitas pessoas passam a vida sem saber e vivem vidas infelizes, fazendo coisas que não significam nada para elas além de uma fonte de sustento. Então, para nós, que somos jovens, vale muito mais ir traçando nossos caminhos lentamente e descobrindo o que nos fará felizes. Eu não sei você, mas não quero simplesmente ser uma pessoa que acumula. Pelo contrário. Eu quero SER e não ter. O mundo já dá valor demais ao ter. Eu não preciso dar também. 

Eu não sei porque estou escrevendo isso. Hoje o dia me rendeu uma ótima conversa. Por isso estou aqui. Pra tentar colocar em palavras tudo aquilo que me vai no coração quando penso em futuro. Já fui muito angustiada com isso. Como se o futuro profissional fosse a única coisa importante na vida. E não é. Está longe de ser. Como disse no começo, o que conta mesmo, o que vamos levar com a gente depois que morrermos, são os laços que criamos, as pessoas que passaram pela nossa vida e o que pudemos fazer por elas e junto com elas. 

Então, de nada adianta ter um futuro profissional brilhante, se você não souber cativar pessoas. E quando cativamos de verdade alguém, temos aquilo pra vida inteira. E se for verdadeiro, é isso que vai nos fazer levantar quando necessário. 

Esta ficando tudo meio confuso. É que meu pensamento não está linear. Só gostaria de dizer, que o mais importante na vida é mantermos o nosso coração sereno. Quando ele está assim, as portas começam a se abrir. Quando temos a capacidade de fechar os olhos e enxergar de olhos fechados, é aí que está o segredo. É só assim que encontramos nossos caminhos. 

Não é fácil viver acreditando nisso. Por vezes, o mundo parece que vai nos engolir. Mas é preciso. Do contrário, corremos o risco de ficar infelizes como a maioria das pessoas parece ser. E eu não desejo isso nem pra mim e nem pra ninguém que me cativou. O mundo pode tentar nos destruir, pode tentar nos colocar na roleta russa da vida pra ver se a gente sobrevive, mas se não acreditarmos que esses valores estranhos que têm vigorado no mundo são o que importa, esse mundo não vai conseguir nos deter. Precisamos de sonho. Sempre. Por isso, o que eu desejo, é que você nunca perca a capacidade de sonhar. 

Eu não vou me render às engrenagens do mundo. E torço para que você também não se renda.


Texto dedicado à Priscilla.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Escândalo e meus pensamentos.


Vizinhos brigando. Estudando direito civil. Sou obrigada a ouvir discussões vindas da rua. Torna-se difícil a concentração. Pessoas gritando me deixam meio desesperada. Parece que a qualquer momento podem partir para a agressão física. E eu sinto vontade de gritar, mandar pararem. 

Sou o tipo de pessoa que foge de brigas, que até mesmo guarda coisas pra si simplesmente buscando evitar discussões desnecessárias. Gritos me assustam. Pessoas descontroladas me assustam. Quando eu mesma atinjo um certo nível de descontrole, também me assusto. Parece que não reconheço a mim mesma. Talvez por isso eu "fuja" de brigas. Porque sinto medo de demonstrar ser uma pessoa que não quero ser. 

Mas também sou meio estouradinha. Dou patadas sem ter a intenção. Pelo simples fato de que certas atitudes não cabem dentro do meu mundo. Ou seja, certas atitudes me parecem tão fora da minha realidade e da forma como enxergo a vida, que não consigo me controlar e solto comentários absolutamente desnecessários. Eu não tenho nada com o fato de que pra pessoa aquela atitude faz sentido. 

Meu mundo. Seu mundo. O equilíbrio entre eles é o respeito. Não tem outro. 

Acho que esse texto virou uma catarse. Começou de um jeito e terminou totalmente diferente. 


Ouvindo Beirut e sendo feliz :)

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Eu gosto é do estrago.


Sempre que você me vem é com esse seu ar superior de quem tem a vida perfeita, de quem já tem todas as respostas e sabe exatamente o que fazer com a própria vida. Eu não. Eu sou toda errada. Sou uma perdida no mundo. Amo tudo e não amo nada. Não sei como e onde vou estar daqui a cinco anos. Não sei fazer esse tipo de plano. Minha vida parece estar sempre uma bagunça, enquanto a sua parece estar sempre traçada previamente. E o mais incrível é você conseguir seguir tudo isso. Não sei como faz. Me pergunto também se é feliz assim, sem ter surpresa nenhuma na vida. Eu gosto é do estrago. Gosto do inesperado, do errado, de não saber bem como vai ser o "dia de amanhã". É bem mais emocionante. Adrenalina! Mas você, ao menos, não sente medo. Aí na sua vidinha pré-programada não precisa temer o amanhã, porque já sabe como vai ser. Está sempre antecipando o destino. Enquanto eu, fico nessas idas e vindas, vontades e não-vontades. Sei lá se vai funcionar pra sempre. Mas por hora me sinto livre sendo assim. E liberdade é a minha substância. 

domingo, 18 de novembro de 2012

Sistema Penitenciário, Sociedade e Ressocialização

O texto que segue escrevi por sugestão da Priscylla Knopp. Foi ótimo para relembrar que algumas coisas no Direito ainda me dão vontade de estudar. Foi publicado no blog dela (Um Olhar à Esquerda): 
http://umolharaesquerda.wordpress.com/2012/11/18/ressocializacao/


Segue o que escrevi:


Dentre os inúmeros problemas que o Brasil atravessa, temos a questão do sistema penitenciário e da ressocialização dos egressos desse sistema.

Quando se estuda, em teoria, os sistemas punitivos do nosso Direito Penal, este parece ser organizado e bom o suficiente para diminuir a criminalidade e tornar a vida de presidiários ao menos digna de ser chamada de vida. Entretanto, nada está mais distante da realidade. O que se vê são cadeias lotadas, péssima qualidade de existência e praticamente nada de ressocialização. São verdadeiras escolas de criminosos. 

Tanto isso é verdade que de 1995 para 2009, a população carcerária aumentou 318%, não acompanhando o aumento da população: de 95 presos para cada 100.000 habitantes em 1995 passou para 246 presos para cada 100.000 habitantes em 2009. Os números são alarmantes. E demonstram claramente que algo está muito errado nisso tudo. 

Além disso, quem de fato é preso no Brasil? Fala-se muito em impunidade, mas a verdade é que para os setores mais pobres, esta não existe nem de longe. Só há impunidade para quem tem dinheiro para pagar por ela. O que superlota as prisões, em geral, são crimes contra o patrimônio, notadamente furtos e roubos. Trata-se de uma grande massa de jovens negros e pobres, moradores de favelas e periferias. Estes é que são presos no Brasil. 

É por isso que se diz que prisão é escola para criminosos. O sujeito rouba uma galinha porque sua família está passando fome e fica anos preso por isso. É claro que, em contato com diversos outros "criminosos", ele aprenderá diversas "técnicas" e "aprimorará" seus crimes. 

Isso se torna ainda mais grave quando pensamos em ressocialização. O sujeito cumpriu sua pena. Muito bom. Sai da prisão. Vai procurar um emprego e não consegue por ser egresso do sistema penitenciário. A função punitiva pertence ao Estado e não à população por alguns motivos. Entre eles está a necessidade de se evitar a vingança privada, por exemplo. 

Mas é ilusão acreditar que a função punitiva está restrita ao Estado. Isso fica claro no exemplo citado acima. O sujeito não consegue emprego. Cumpriu sua pena, mas continua sendo punido. E, muitas vezes, por um crime que nem oferecia perigo social. Aí o sujeito vai voltar para o “mundo do crime”. É quase um ciclo. 

Já dizia Cesare Beccaria, em 1764 (!), que “só as leis podem fixar as penas de cada delito e que o direito de fazer leis penais não pode residir senão na pessoa do legislador”. Isso significa que a população não tem o direito e de agravar a pena do sujeito. Como queremos diminuir a criminalidade se não damos sequer uma chance do sujeito se reerguer e recomeçar sua vida de forma digna?

Como já disse Marcelo Freixo, deputado estadual do Rio de Janeiro, a prisão é uma pena de morte social. O criminoso fica condenado a receber essa alcunha pelo resto de sua vida.

Prova cabal de que o sistema penitenciário está longe de ser o ideal é ter que ouvir do Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, em pessoa, que preferia morrer a ser preso no Brasil. Precisa de mais? O problema maior não é o referido Ministro fazer esse tipo de afirmação, mas fazê-lo e ainda assim não buscar real solução para o problema. Aumentar vagas ou aumentar o número de presídios nitidamente é solução paliativa. É fácil cruzar os braços quando não se corre grandes riscos de ser preso. Afinal, quem vai pra cadeia no Brasil é negro e pobre. Prova disso é toda a comoção diante do julgamento do mensalão. Se fosse corriqueiro ricos serem presos, o país não estaria tão impressionado com a coisa toda.

Por fim, vale citar novamente Beccaria:

Entre os romanos, quantos cidadãos não vemos, acusados anteriormente de crimes hediondos, mas em seguida reconhecidos inocentes, receberem da veneração do povo os primeiros cargos do Estado? Porque é tão diferente, em nossos dias, a sorte de um inocente preso?
É porque o sistema atual da jurisprudência criminal apresenta aos nossos espíritos a ideia da força e do poder, em lugar da justiça; é porque se lançam, indistintamente, na mesma masmorra, o inocente suspeito e o criminoso convicto; é porque a prisão, entre nós, é antes um suplício que um meio de deter um acusado.


Vale ressaltar que essas afirmações foram feitas no séc. XVIII e ainda hoje podem ser consideradas atuais. É necessário que mudanças sejam promovidas. E é impossível pensar mudanças apenas de cima para baixo. A mudança deve ser de cada um. Mudança de consciência e de cultura. Todos precisamos abrir os olhos aos problemas citados. Eu sou mulher, branca, de classe média, estudante. Definitivamente não me encaixo no “perfil” dos presos. Provavelmente você que está lendo isso também não. Mas estamos falando de seres humanos como nós que merecem ser tratados como tais.

Isso sem falar na responsabilidade que a sociedade como um todo tem por esses sujeitos. Mas esse seria um assunto para outro texto. Então melhor terminar por aqui.



Inspirações:

Livro Dos Delitos e Das Penas, de Cesare Beccaria.

Vídeo “A Prisão é para quem?”, com discurso do deputado estadual do RJ, Marcelo Freixo, no plenário da Alerj em 14 de Novembro de 2012. http://www.youtube.com/watch?v=o-7S8DUbbKk&feature=plcp