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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Troca de livros - uma sensação sem tradução!


Primeiramente, a quem ainda passa por aqui, tenho que pedir desculpas. Infelizmente minhas postagens no filhote estão sendo bastante escassas... Mas não o abandono porque sei o quanto me faria falta. Tenho estudado muito e isso limitou bastante meu tempo livre. Mas saibam que tenho projetos novos na manga que devem sair até o final desse semestre!

Bom, hoje quero contar sobre minha experiência em participar de uma troca de livros que está rolando na internet. Você compra um livro pra alguém e consegue 6 pessoas para darem um livro cada pra pessoa que te convidou a entrar na "corrente". No final das contas, se todos cumprirem com o combinado, você ganha 36 livros em troca de um.

Mas independente da quantidade, é uma das coisas mais legais que já participei na internet. Já recebi cinco livros "inesperados" em casa, além de um enviado por um amigo. E a sensação é inexplicável. Cada livro é bastante diferente do outro e mesmo quando você fica sem saber quem te enviou, dá um vontade enorme de descobrir pra agradecer. Parece que você sente uma conexão absurda com alguém que você nem mesmo conhece. É legal demais! 

O mundo é mágico! Só não percebe quem não está aberto a sentir! 

Namastê :)

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Autoperfeição com Hatha Yoga


Pessoas, estava lendo "O morro dos ventos uivantes" e dei uma pausa quando meu kindle voltou a funcionar pra ler um pouco sobre yoga. Eu gosto muito de praticar e me faz um bem danado, mas estou precisando de alguma inspiração maior pra conseguir firmar. Já tem tempo que começo e paro, começo e paro. To precisando mesmo começar e não parar. 

Comecei então com o Prof. Hermógenes (aquele fofo hahahahha). O livro é ótimo! Estou adorando. O trecho que segue fala sobre respiração (pranayama), que é tão importante para os praticantes e que eu ainda sei bem pouco. Pra quem se interessa por esse assunto, segue o trecho.

Como corrigir a respiração deficiente

"Como os exercícios de pranayama são quase todos executados usando somente o nariz, antes de iniciar um deles é preciso ter as fossas nasais totalmente desimpedidas. 

Talvez nenhuma técnica yogue seja necessária quando se trata de uma pessoa que respira pela boca devido a mau hábito formado em época em que, por um qualquer defeito anatômico ou fisiológico, teve dificuldade em respirar pelo nariz. Neste caso, só é preciso uma boa dose de propósito de livrar-se do habito, se é que o obstáculo anatômico ou fisiológico já foi removido.

Para desobstruir uma das narinas, coloque na axila do lado oposto um volume como o de um livro, ou o punho fechado. Dentro de minutos, o desentupimento se dá. É só ter um pouquinho de paciência. Logo que obtiver o que deseja, desfaça a pressão, senão vai entupir a narina do mesmo lado. Se estiver na cama, é suficiente deitar-se sobre o lado desobstruído, para em poucos instantes livrar a narina que estava entupida. E ainda há quem não admita a existência. a dos nadis!!...

A lavagem do nariz ou vyut-krama consiste em aspirar água pelo nariz e cuspi-la pela boca. A sucção se faz mais com a faringe do que com as narinas. A água deve ser fervida, com uma solução de 7% de sal de cozinha (melhor o sal bruto) e em temperatura tépida. As primeiras vezes a coisa é desagradável. Dá uma dorzinha que desaparece com poucos segundos.

Alguns exercícios de pranayama, adiante ensinados, são outras formas eficazes de limpar o muco das narinas e quem os pratica realiza outrossim um tratamento preventivo.

Há certas práticas indicadas por Kerneiz (op. cit.) que preferimos explicar na palavra do autor. Tais técnicas "consistem essencialmente em pronunciar ou sobretudo em cantar certas sílabas de maneira a fazer vibrar as paredes das vias respiratórias. Os sons devem de preferência ser emitidos sobre uma das notas do acorde perfeito e segundo o registro vocal de cada um. Não é preciso cantar a toda a voz, mas cantarolar".

"A sílaba mais própria a fazer vibrar a cavidade torácica mediana é frem; é preciso tentar um pouco para obter o justo som; apoiando ligeiramente os dedos sobre o peito, deve-se sentir a vibração. Om (a sílaba sagrada) faz voltar a parte superior da caixa  torácica e a base da garganta. Yum a parte superior da garganta e alto da glote. Vam o alto do véu palatino e a parte posterior das cavidades nasais. Mam a parte média do véu palatino e das cavidades nasais. Sam a parte anterior do véu palatino e das cavidades nasais. Podem-se obter vibrações um pouco diferentes e mais acentuadas substituindo o m final por n."

"A emissão prolongada e repetida dessas sílabas sobre um som musical e as vibrações que elas determinam tem por efeito purificar as vias respiratórias e livrá-las de todo excesso de muco; exercendo ação tonificante notável, que tende a imunizá-las contra todas as infecções menores de que se tornam sede."

Esses exercícios assim descritos por Kerneiz são classificados na categoria de mantrans. Mantram é a palavra ou som que determina efeitos vibratórios, psíquicos e espirituais quando devidamente emitidos. São verdadeiros mantrans os cantos gregorianos e a entoação das suras do Alcorão pelos muçulmanos em prece. De certa forma, o efeito psicológico arrancado aos soldados pela marcialidade dos tambores exemplifica o que os orientais denominam mantrans."


Vale muito à pena ler o livro, gente. Recomendo!

terça-feira, 22 de julho de 2014

Excelentíssimo - Rubem Alves

"Ando pesquisando coisas antigas da terra onde nasci, Dores da Boa Esperança, à procura de vestígios da minha infância. Pois ontem, fuçando umas pastas velhas, encontrei lá uns jornais de antigamente, muito antes de eu nascer. Acho que os médicos de hoje fariam bem em se informar sobre os remédios daquele tempo que eram muito mais maravilhosos que os remédios de agora. Hoje, quando se toma um remédio, não se sabe quem o fez. Não há, portanto, um jeito de fazer a reclamação à pessoa responsável, caso o remédio não funcione. Naqueles tempos, os remédios traziam no rótulo o retrato do inventor da poção curativa. Tal é o caso do miraculoso remédio Elixir de Nogueira, um “santo remédio”, eficaz no tratamento de “escrófulas, darthros, boubas, inflamações do útero, corrimento dos ouvidos, gonorrhéas, fístulas, espinhas, cancros venéreos, rachitismo, flores brancas, úlceras, tumores, sarnas, rheumatismo em geral, manchas da pelle, affecções do fígado, dores no peito, tumores nos ossos, latejamento das artérias” (jornal A Esperança, Dores da Boa Esperança, 23 de outubro de 1927, p. 4). Agora me digam: que remédio moderno pode se comparar ao poder curativo do Elixir de Nogueira, atestado pela foto do dr. Nogueira, grande bigode retorcido nas pontas, óculos, colarinho e gravata? Os óculos sempre foram marca dos cientistas. Cientista sem óculos não é digno de crédito... Mas, examinando as notícias no miúdo nota-se que todas as pessoas eram “excelentíssimas” e “ilustríssimas”. Os que viajavam eram sempre o ilustríssimo senhor Fulano de Tal com sua excelentíssima esposa... Os juízes eram “meritíssimos”, isto é, portadores de méritos incontáveis. Contou-me um juiz amigo que numa audiência numa cidade do interior o advogado insistia em chamá-lo de “meretríssimo”, tratamento insólito que lhe causou sério problema facial: ele não sabia se o advogado estava a ofendê-lo, chamando-o de “filho da puta”, caso em que ele deveria fechar a cara, ou se o advogado era apenas um pobre-diabo que não sabia o sentido das palavras, caso em que o seu rosto se abriria numa risada... Incapaz de concluir, ele optou pela postura indiferente, clássica no rosto dos juízes. Mas o que me levou a esta excursão foi o fato de um “meretríssimo”, convencido da sua grande importância, haver entrado na Justiça com uma ação contra os funcionários do edifício em que mora, posto que eles, ignorantes da sua excelência, não o tratavam com os devidos “doutor”, “excelentíssimo”, “ilustríssimo”. Esse juiz, ao que me parece, coloca paletó e gravata para defecar e usa fraque e cartola para perpetuar os coitos exigidos pelas obrigações conjugais, se é que o faz. Imagino que ele seja juiz por competência, isto é, passou nos exames. O que é prova cabal de que o conhecimento das leis não é garantia da sabedoria do juiz. Como dizia um homem sábio, na cidade onde nasci, “duas são as coisas em que não se pode confiar: bunda de criança e cabeça de juiz...”. Se ele deu entrada nessa ação, imagino, é que deve haver dispositivos legais para obrigar as pessoas ao tratamento devido, meritíssimo, magnífico, reverendíssimo, ilustríssimo, excelentíssimo, doutor. Pergunto aos conhecedores da lei se não haverá dispositivos legais que punam pessoas que usam títulos sem possuí-los. Um bacharel pode colocar placa de doutor? Engenheiro é doutor? Lembro-me de um homem, também lá em Minas, que queria ser doutor a qualquer preço. Para ele, ser doutor era ter diploma de engenheiro agrônomo. Tirou o diploma. Mas o tiro saiu pela culatra. De caçoada, deram-lhe o apelido de Zé Doutor. Quando vejo escrito na capa de um livro, como autor, Doutor Fulano de Tal, não consigo esconder o riso. É uma pena que a lei não tenha provisões para punir a estupidez e a presunção".

Nova sessão no blog, gente: agora postarei textos ou trechos de livro que eu gostar. Na verdade já fiz isso uma ou duas vezes, mas agora vai ser mais frequente. Espero que gostem! 

Esse é um texto que tem no livro "ostra feliz não faz pérola", do Rubem Alves (lindo!). Recomendo o livro todo. 

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Você sabe quais são as dimensões da sua mente?


Primeiramente, este post foi inspirado por um livro que recomendo muito: "O Apanhador no Campo de Centeio" (J. D. Salinger).

O trecho que me trouxe até aqui foi o seguinte: 


" - (...) Na hora em que você conseguir deixar para trás todos os Professores Vinsons, você vai começar a se aproximar cada vez mais - isto é, se você quiser, e se procurar, e se tiver paciência de esperar - da espécie de conhecimento que será muito, muito importante para você. Entre outras coisas você vai descobrir que não é a primeira pessoa a ficar confusa e assustada, e até enojada, pelo comportamento humano. Você não está de maneira nenhuma sozinho nesse terreno, e se sentirá estimulado e entusiasmado quando souber disso. Muitos homens, muitos mesmo, enfrentaram os mesmos problemas morais e espirituais que você está enfrentando agora. Felizmente, alguns deles guardaram um registro de seus problemas. Você aprenderá com eles, se quiser. Da mesma forma que, algum dia, se você tiver alguma coisa a oferecer, alguém irá aprender alguma coisa de você. É um belo arranjo recíproco. E não é instrução. É história. É poesia.
(...)
Há outra coisa que uma educação acadêmica poderá proporcionar a você. Se você prosseguir nela por um tempo razoável, ela acabará lhe dando uma ideia das dimensões da sua mente. Do que ela comporta e, talvez, do que ela não comporta. Depois de algum tempo você vai ter uma ideia do tipo de pensamento que sua mente deve abrigar. A vantagem disso é que talvez lhe poupe uma enormidade de tempo, que você perderia experimentando ideias que não se ajustam a você, não combinam com você. Você começará a conhecer as suas medidas exatas, e vestirá sua mente de acordo com elas".


Apenas desses dois parágrafos é possível tirar muita coisa. Trata-se de uma conversa entre um professor e o personagem central do livro. 


Dois pontos me interessam muito nesse momento. O primeiro deles é o fato de que podemos aprender com qualquer angústia que tenhamos em relação ao comportamento humano. Sim, muitas vezes olhamos em volta e tudo parece horrível. Mas a percepção disso vale para aprendermos o que não queremos para nós e para nossa vida e para buscarmos ver o outro lado da moeda: tudo de bom que ainda é possível apreciar no mundo. E se você não é capaz de ver isso, tente piscar os olhos e mudar o foco.


O segundo ponto - e o que mais me deixou fascinada - foi a questão das dimensões da mente. Eu tenho, sim, muitas ressalvas em relação à academia, acho que em muitos sentidos ela pode acabar nos limitando. Mas acho, também, que se formos abertos a outras formas de conhecimento e se conseguirmos unir isso ao estudo acadêmico, podemos encontrar nossas "medidas exatas", podemos ir em busca do que acreditamos ser certo e do que cabe dentro da nossa mente. Acredito que é possível (e necessário) construirmos nosso Eu a partir do que achamos relevantes para nós. 


Você já parou para pensar quais são as dimensões da sua mente? O que ela é capaz de enxergar no mundo? O que você quer pra você e quem você quer ser? São reflexões necessárias que devem ser sempre feitas e refeitas. 

domingo, 8 de abril de 2012

C. Lispector

"Existir é tão completamente fora do comum que se a consciência de existir demorasse mais de alguns segundos, nós enlouqueceríamos. A solução para esse absurdo que se chama "eu existo", a solução é amar um outro ser que, este, nós compreendemos que exista" (Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres)

Sim, esse é o meu livro favorito no mundo inteiro. 

segunda-feira, 12 de março de 2012

Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres

Clarice Lispector, aquela linda. Sabia captar a sensibilidade humana, especialmente feminina, de uma forma que poucas pessoas conseguem fazer. Vai aí um trecho desse livro maravilhoso que comecei a reler hoje:

"Mais uma vez, nas suas hesitações confusas, o que a tranquilizou foi o que tantas vezes lhe servia de sereno apoio: é que tudo o que existia, existia com uma precisão absoluta e no fundo o que ela terminasse por fazer ou não fazer não escaparia dessa precisão; aquilo que fosse do tamanho da cabeça de um alfinete, não transbordava nenhuma fração de milímetro além do tamanho de uma cabeça de alfinete: tudo que existia era de uma grande perfeição. Só que a maioria do que existia com tal perfeição era, tecnicamente, invisível: a verdade, clara e exata em si própria, já vinha vaga e quase insensível á mulher."

Isso me lembrou de um filme lindo: